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Boston,25/02/2026

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Murilo Hidalgo e os bastidores da leitura política no Brasil


Murilo Hidalgo e os bastidores da leitura política no Brasil Murilo Hidalgo é CEO do Instituto Paraná Pesquisas

Quem é Murilo Hidalgo? 


Murilo Hidalgo é diretor-presidente do Instituto Paraná Pesquisas, referência nacional em levantamentos políticos, de opinião e de mercado. Há mais de 35 anos no setor, consolidou a reputação do instituto pela precisão dos resultados e pelo compromisso com a responsabilidade. Fora do trabalho, é torcedor do Coritiba e presença constante na mídia, onde comenta metodologias, legislações e tendências políticas. 


Nos últimos anos, o Instituto Paraná Pesquisas se firmou como referência nacional. Quais fatores foram decisivos para esse êxito? 


Os principais fatores foram a persistência e a resiliência. Fundado em 1990, o Paraná Pesquisas é focado em pesquisas eleitorais para presidente, governador, senador, deputados federais, estaduais e prefeitos. Realizamos também pesquisas para entidades de classe, como clubes sociais, times de futebol e a OAB. O foco eleitoral tornou o instituto amplamente reconhecido, sobretudo pela precisão dos resultados, o que fortalece sua credibilidade. Sempre brinco que quem trabalha com pesquisa eleitoral precisa ser muito bom, já que na urna se comprova a eficiência do instituto.


Entre as pesquisas realizadas, quais dados surpreenderam mais e revelaram nuances pouco conhecidas da sociedade brasileira? 


Uma pesquisa marcante foi em 2014, quando nosso primeiro levantamento sobre o segundo turno entre Dilma Rousseff e Aécio Neves teve grande repercussão. Mais recentemente, as pesquisas presidenciais destacaram o Paraná Pesquisas como uma das instituições que mais se aproximaram dos resultados oficiais, gerando ampla visibilidade. Outro exemplo foi a eleição para prefeito de São Paulo, na qual praticamente só nós apontamos Ricardo Nunes à frente de Pablo Marçal e Guilherme Boulos. 


O Paraná Pesquisas já ultrapassou fronteiras. Como têm sido as experiências internacionais?


Realizamos uma pesquisa em Portugal, na penúltima eleição, com grande sucesso e repercussão, sendo o instituto que mais acertou. Fizemos também uma pesquisa para a eleição presidencial nos EUA, na última eleição, o que foi uma ótima experiência para o Paraná Pesquisas. Foi perceptível como é muito mais simples fazer uma pesquisa em Portugal do que nos EUA, onde o processo é mais complexo. 


Como você avalia o impacto da polarização nas eleições presidenciais de 2026? 


As eleições de 2026, felizmente ou infelizmente, ainda estão polarizadas. Diferentemente dos Estados Unidos (EUA), onde a disputa se organiza em torno de partidos, no Brasil ela se concentra em figuras políticas. Não tenho dúvida de que a eleição será novamente marcada pelo embate entre Lula e o candidato apoiado por Jair Bolsonaro, hoje inelegível. O equilíbrio entre esses dois polos deve tornar a disputa acirrada. Além da economia, outros fatores vêm ganhando força, como valores culturais, religiosidade e costumes, o que reforça a polarização. Já em 2030, vejo a possibilidade de um cenário mais aberto, sem essas duas lideranças. 


Embora o “tarifaço” tenha favorecido Lula no curto prazo, quais impactos o senhor acredita que ele terá sobre as eleições de 2026? 


Eu diria que o tarifaço não surtiu muito efeito, mas sim a palavra soberania, que foi muito usada pelo governo atual. Essa interferência do governo americano sobre o governo brasileiro causou um impacto. Agora basta observar se esse assunto vai durar até as próximas eleições, o que vai depender muito das próximas medidas do governo americano em relação ao Brasil. 


Olhando para os próximos anos, quais tendências você acredita que vão marcar o comportamento político e social dos brasileiros?


Pensando nas eleições para 2030, acredito que essa polarização vai acabar, e não tenho dúvida de que a tendência é que os costumes ganhem cada vez mais importância para o eleitor. Os políticos devem pensar na sua postura, em como se posicionar em relação a alguns assuntos, como, por exemplo, a liberação de drogas e o aborto — temas muito complexos para quem ocupa essa posição. 


Que mensagem o senhor deixaria para líderes e gestores que querem compreender melhor a opinião pública e se conectar de forma mais autêntica com a sociedade?


Pesquisar bastante. Entender como o eleitor pensa, tanto o seu eleitor quanto o da oposição, e como se comunicar com ele. Pesquisas constantes são fundamentais para saber como a opinião pública está vendo os fatos. O Brasil é um país de dimensões continentais, e compreender as diferenças regionais é indispensável. A opinião pública no Nordeste não é a mesma do Sul, então é necessário pesquisar muito para se comunicar certo.




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