Startups e a democratização da tecnologia do agro
Tirso Meirelles é presidente do Sistema FAESP/SENAR SP e vice-presidente do SEBRAE SP O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso de Salles Meirelles, tem sido uma referência para o agronegócio paulista nos últimos anos. Economista, administrador de empresas e produtor rural, tem dedicado sua vida ao aprimoramento dos meios de produção rural. Sua atuação à frente do Sebrae-SP levou à ampliação da atuação no interior de São Paulo, com foco nos programas de orientação e capacitação em gestão empresarial no meio rural para pequenos e médios produtores.
Inovação
Aprendi com a minha mãe que inovar é o caminho para o setor agropecuário. Lembro quando meu pai começou a participar do movimento de valorização dos produtores paulistas e da criação de associações rurais, a fazenda ficou nas mãos da minha mãe, a Professora Ivelle. Ela colocava música clássica nos currais, o que influenciou positivamente na produção de leite. Ela sempre foi uma mulher visionária e aprendi com ela que a inovação é o caminho para o sucesso do agro.
Capacitação
O presidente emérito da Faesp, Fábio de Salles Meirelles, conseguiu incluir na Constituição o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que ficou a cargo do empresariado rural. A qualificação da mão de obra é essencial para garantir a qualidade de uma cultura, do plantio à colheita. Hoje, em São Paulo, temos mais de 400 cursos, que abrangem todo o setor agropecuário, além de ações de alfabetização. Para nossa alegria, o governador Tarcísio de Freitas se comprometeu a ampliar a conectividade em todo o estado, não apenas nas sedes das fazendas, mas no campo.
Agricultura tropical
Há 50 anos o Brasil exportava apenas café e açúcar. Com a criação da Embrapa, na década de 70, e as pesquisas que ajudaram a entender o cultivo nos trópicos, nos transformamos de importadores em um dos principais players na produção de alimentos no mundo. Hoje o Brasil é responsável pela segurança alimentar de parte expressiva do planeta, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O grande desafio é produzir cada vez mais, sem aumentar a área de plantação.
Sustentabilidade
Acho estranho países que destruíram suas florestas criticarem a sustentabilidade no Brasil. Um país que preserva 66% de sua cobertura nativa original, onde 33% dessas matas estão em propriedades rurais, como Áreas de Preservação Permanente (APPs) e reserva legal. O homem do campo sabe que a qualidade do solo, que vai influenciar seu cultivo, depende das florestas e de recursos hídricos. O agro brasileiro é um dos mais sustentáveis do mundo e isso tem sido reiterado em inúmeros acordos comerciais com blocos econômicos ao redor do mundo.
Acordo Mercosul - União Europeia
A perspectiva de assinatura deste acordo ainda em 2025, depois de mais de 20 anos de discussões, é grande. Em um mundo onde a geopolítica é cada vez mais importante, acordos como esse abrem portas importantes para os produtores rurais brasileiros. Esse livre comércio com a União Europeia vai criar um mercado de mais de 700 milhões de consumidores, reforçar os laços entre os blocos e abrir perspectivas para que outros blocos também tenham no Mercosul um parceiro de negócios. Acordos são fundamentais para melhorar a competitividade e a rentabilidade do nosso agro.
Conhecimento
Além de estarmos realizando o primeiro grande mapeamento do setor agropecuário paulista, o Projeto Integrar, estamos construindo oito centros de excelência que irão impulsionar ainda mais o desenvolvimento do nosso estado. Em Ribeirão Preto está em fase final de construção um Centro de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, assim como no início de 2026 estaremos entregando o Centro de Inteligência Artificial e Turismo Rural, em São Roque, onde investiremos em BigData, novas tecnologias para o campo e no fomento de startups que irão aproximar os pequenos e médios produtores das soluções digitais.
Futuro do Agro
A discussão em torno do futuro do agro passa pela capacidade dos pequenos produtores a se adaptarem às inovações. Sou defensor de uma política de longo prazo no setor, com orçamento sem contingenciamento, seguro, crédito ao pequeno e médio, e programas de fomento. Com o Plano Safra, há sempre a incerteza sobre a disponibilidade financeira para atender a produção. Com juros a 15%, tenho reiterado a importância de um bom plano de trabalho, para que se evite a contratação de recursos que podem levar ao endividamento.



COMENTÁRIOS