Raquel Rocha é fundadora da Lana Access Ao longo da minha experiência no mercado imobiliário de luxo internacional, percebi que uma aquisição nesse segmento vai muito além da compra de metros quadrados: é uma afirmação de visão estratégica. Famílias e investidores de alto patrimônio procuram hoje retorno financeiro, mas também ecossistemas que ofereçam estabilidade política, segurança jurídica, regimes fiscais e cientes e qualidade de vida capaz de atravessar gerações.
Os movimentos globais de capital confirmam essa tendência. Em 2025, mais de 140 mil milionários deverão mudar de país, segundo a Henley & Partners — o maior fluxo da última década. Enquanto o Reino Unido enfrenta a saída de parte relevante desse público, motivada por mudanças fiscais e incertezas regulatórias, países como Itália e Portugal afirmam-se na Europa como destinos, unindo regimes tributários competitivos e estilo de vida sofisticado. Esse equilíbrio tem atraído investidores que valorizam rentabilidade, previsibilidade, cultura e segurança.
O mapa do luxo internacional revela polos que se tornaram ímãs de capital. Lisboa consolida-se como capital em ascensão, onde clima, cultura e estabilidade institucional oferecem refúgio seguro. Milão, emergindo como alternativa sólida ao centro financeiro de Londres, alia dinamismo econômico a incentivos fiscais que reforçam a sua posição como hub europeu. Ao lado destas, a Suíça, símbolo de solidez e discrição, e Mônaco, ícone de exclusividade, permanecem referências para a elite global. Já Dubai, apoiada em incentivos fiscais singulares e na segurança garantida pelo Estado, reforça-se como refúgio seguro para grandes fortunas. Miami, com sua posição estratégica para as Américas, completa este quadro ao combinar cosmopolitismo, lazer e oportunidades de investimento diversificadas.
O fio condutor entre esses centros é claro: no mercado de luxo, um imóvel deixou de ser apenas uma residência — tornou-se refúgio de capital, símbolo e legado. O futuro do setor será medido menos pelo valor do metro quadrado e mais pela sua capacidade de representar continuidade, proteção e estratégia. É na leitura apurada dessas nuances que se distingue uma transação de uma decisão visionária.



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