Carlo Pereira é o CEO do Lide New York & Washington Os minerais críticos não são apenas insumos da transição energética — são a nova base da soberania econômica. O Brasil tem os ativos que o mundo precisa, mas o tempo e a coordenação definirão se vamos liderar ou seguir.
Os mercados vivem de ciclos. E, de tempos em tempos, um novo eixo de valor se impõe. O que o petróleo foi para o século XX, os minerais críticos serão para o XXI. Lítio, cobre, níquel, grafite, nióbio e terras raras deixaram de ser commodities técnicas para se tornarem o núcleo da nova revolução industrial: veículos elétricos, semicondutores e baterias. Por trás de cada turbina e de cada bateria, há cadeias de suprimentos que determinarão quem dita o ritmo da economia global.
O problema é a concentração. A China domina 90% do refino de terras raras, 70% do lítio e 80% do grafite. Nenhum outro setor estratégico do mundo apresenta tamanha dependência. Estados Unidos e Europa entenderam, tarde, que quem controla esses insumos controla o futuro da energia, da defesa e da tecnologia. O capital está migrando — dos produtores de petróleo para as nações minerais. A nova diplomacia global não é do barril, é do minério.
E aqui está o paradoxo: o Brasil possui um dos subsolos mais ricos do planeta, com 23% das reservas conhecidas de terras raras, quase monopólio em nióbio (92% da produção mundial) e rápido avanço em lítio e grafite. Mesmo assim, ainda exportamos minério bruto quando poderíamos exportar valor refinado. O Vale do Jequitinhonha, antes símbolo de pobreza, virou o “Vale do Lítio” — uma metáfora perfeita: abundância natural à espera de coordenação, tecnologia e capital.
Do ponto de vista do investidor, a oportunidade é assimétrica. O mundo precisa de oferta segura — rápido. Projetos minerais levam uma década para maturar. Quem entrar agora captura o ciclo inteiro. Fundos soberanos da Arábia Saudita, dos Emirados e do Canadá já olham o Brasil com atenção. Os fundamentos são claros: risco político controlado, matriz energética limpa e escala. O que falta é velocidade — e isso depende de regulação clara e execução privada.
Estamos às portas de um novo superciclo das commodities, mas desta vez o prêmio vai para quem agrega tecnologia e processamento, não apenas para quem extrai. O capital seguirá para países capazes de transformar recursos em ecossistemas industriais. O próximo grande player do setor não será uma mineradora — será uma plataforma que conecta geologia, infraestrutura e finanças.
O Brasil pode ser essa plataforma. Temos reservas, credibilidade e energia. Mas o capital não segue o potencial — segue a execução. O relógio já está correndo, e, em geopolítica, assim como no mercado, timing é tudo.



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