Roberto Cláudio é médico sanitarista e ex-Prefeito de Fortaleza, Ceará, Brasil Muito se tem falado sobre mobilidade urbana nos últimos anos. Este é um dos temas mais críticos para qualquer cidade e, sobretudo, para as grandes metrópoles. Deslocar-se no território urbano é condição essencial para acessar todo o potencial que as cidades oferecem.
Só é possível usufruir das oportunidades de trabalho e renda, dos serviços de saúde, das escolas e universidades, do lazer, do esporte, da cultura e de qualquer serviço público se houver condições de deslocamento e ciente e seguro, independentemente do meio escolhido — a pé, de transporte público, de bicicleta, de carro ou de moto.
Uma política de mobilidade urbana de qualidade é, portanto, chave para o desenvolvimento socioeconômico e para a qualidade de vida.
A deterioração dos deslocamentos, revelada por congestionamentos intermináveis e sinistros de trânsito, impõe desafios imensos.
Vale lembrar que a principal causa de mortes no mundo entre jovens de 15 a 29 anos é a epidemia de mortes no trânsito. Além disso, a dependência excessiva do transporte individual motorizado contribui para a poluição do ar e para hábitos cada vez mais sedentários.
Mas é possível mudar. Fortaleza, com 2,4 milhões de habitantes, mostrou isso ao adotar, nos últimos 12 anos, políticas inovadoras: expansão da rede cicloviária e de faixas exclusivas de ônibus, implantação de BRTs, o maior sistema público de bicicletas compartilhadas do Brasil, áreas de trânsito calmo e outras iniciativas. Como resultado, a cidade teve oito anos consecutivos de redução de mortes no trânsito e foi reconhecida internacionalmente por entidades como a OMS e a Bloomberg Philanthropies.
Enfrentar os desafios da mobilidade urbana exige inovação, liderança política e capacidade técnica, com prioridade à segurança dos mais vulneráveis e ao transporte público. Assim, garantimos acesso às oportunidades que as cidades oferecem e contribuímos para a qualidade de vida da população.



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