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Boston,12/05/2026

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Um mundo puxado em duas direções

Por Marcello Estevão


Um mundo puxado em duas direções Marcello Estevão, PhD MIT, é Diretor Gerente e Economista Chefe do Institute of International Finance, professor da Universidade de Georgetown em Washington, DC, e ex-Secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda

A economia global já não segue uma única direção. Ela está sendo moldada por duas forças poderosas que atuam ao mesmo tempo, criando um cenário mais desigual e complexo para governos, empresas e investidores. 

De um lado, choques de energia e tensões geopolíticas elevam custos, interrompem rotas comerciais e tornam as decisões de política econômica mais difíceis. De fato, a guerra no Oriente Médio não é apenas um problema regional. Ela afeta os preços de petróleo e gás, as rotas de transporte, os custos de seguro e, no fim, a inflação em vários países. Esses efeitos vão muito além dos combustíveis, alcançando transporte, alimentos e bens do dia a dia. Quanto mais esses choques persistem, mais pressionam o crescimento e colocam à prova a capacidade de resposta dos bancos centrais. 

De outro lado, o ciclo de investimentos em inteligência artificial sustenta a atividade. Empresas estão investindo fortemente em data centers, semicondutores e na infraestrutura energética necessária para viabilizar esse avanço. Esse movimento eleva as expectativas de produtividade e mantém o crescimento, especialmente nos Estados Unidos, onde tecnologia e serviços lideram a expansão. 

O ponto central é como essas duas forças interagem e por quanto tempo irão durar. Nos Estados Unidos, o crescimento segue sólido, mas cada vez mais concentrado em setores ligados à IA e aos serviços. Na Europa, o choque de energia reforça um ajuste estrutural já em curso, com custos mais altos pressionando a indústria e as políticas econômicas. Nos mercados emergentes, os resultados dependem menos do crescimento global e mais da exposição à energia, da inflação e da credibilidade das políticas. 

Este não é um ciclo global sincronizado. É um ciclo de divergência entre países, setores e escolhas políticas. Os mercados refletem essa tensão, alternando entre o otimismo com a tecnologia e a cautela com a geopolítica. A principal questão não é se essas forças vão continuar, mas por quanto tempo o choque de energia vai durar e quão bem as políticas conseguirão absorvê-lo. A economia global não está enfraquecendo de forma uniforme. Ela está se tornando mais diferenciada, mais seletiva e mais desafiadora.




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