Luiz Sérgio Vieira: inovação, diversidade e sustentabilidade na liderança corporativa
Luiz Sérgio Vieira participou ativamente da criação do Centro de Inovação da EY, o Wavespace Quem é Luiz Sérgio Vieira?
Sou uma pessoa que valoriza profundamente a família e as amizades. Sou casado com a Milena há 27 anos, minha companheira de vida, com quem tenho duas filhas maravilhosas, a Isabela e a Letícia. Para mim, evolução pessoal e profissional caminham juntas, e busco viver uma vida com significado. Ao longo da carreira, consolidei minha atuação com foco no desenvolvimento de pessoas, no trabalho em equipe e na busca por resultados sustentáveis a longo prazo. Inspirado também pelo esporte, carrego valores como disciplina, resiliência, determinação e a convicção de que o desempenho individual só se sustenta quando apoiado por um time forte.
Completando 10 anos à frente da EY no Brasil este ano, quais foram os desafios até agora?
Foram vários desafios. Assumi o cargo de CEO em uma época em que a economia brasileira vinha de um período de recessão. Ainda assim, sempre tive a visão de que precisávamos nos diferenciar e por isso apostei fortemente em inovação. Naquela época, criamos nosso centro de inovação (posteriormente BeyondLabs), que passou a ser o nosso hub de pesquisa, desenvolvimento e inovação, onde criamos novas soluções, tecnologias emergentes e promovemos a cultura da inovação para treinar as pessoas a pensarem como líderes inovadores que desafiam o status quo. Outra frente é o WaveSpace, ambiente de colaboração e cocriação com clientes e ecossistemas.
A EY organiza o Programa Empreendedor do Ano, que chega à sua 29ª edição. Que conselhos daria para esses novos líderes?
Primeiro, é importante reforçar o quanto a EY acredita na força do empreendedorismo e tem contribuído de forma relevante, por meio de ações e programas, para fomentar um ecossistema que apoie e promova os empreendedores e seu papel como agentes de transformação na sociedade. A longevidade do programa é um testemunho da coerência das nossas ações com nosso propósito de ajudar a construir um mundo de negócios melhor. Quanto a conselhos, acredito que o empreendedor seja um visionário por natureza, que assume riscos por algo em que acredita, mas que, para tirar isso do papel, precisa formar times, atrair as pessoas certas e desenvolvê-las, além de saber navegar pelas diferentes fases da organização.
Que iniciativas a EY tem implementado para promover mais diversidade e inclusão?
Para a EY, diversidade e inclusão são valores éticos e também uma alavanca estratégica para o negócio. Times diversos ampliam a compreensão dos clientes, impulsionam a inovação e melhoram a qualidade das decisões. Na EY, contamos com uma agenda intencional e alinhada à nossa cultura, que inclui políticas voltadas à formação de equipes mais representativas. Nossas ações consideram a diversidade de gênero, raça, orientação sexual, gerações e pessoas com deficiência, com foco na atração e retenção de talentos, além da construção de um ambiente seguro e inclusivo. Investimos fortemente em capacitação e desenvolvimento contínuo, bem como no monitoramento de indicadores de composição e experiência dos profissionais. Esses avanços são reconhecidos por rankings e índices externos de diversidade e inclusão.
Como garantir o uso da IA responsável, assegurando governança e ética nos negócios?
Garantir o uso responsável da IA exige tratá-la como um tema de liderança, estratégia, governança e confiança, e não apenas de tecnologia. Isso começa com a definição clara de princípios corporativos de IA Responsável, integrados ao propósito, aos valores e ao código de conduta da organização, orientando todo o ciclo de vida das soluções — do desenho ao uso em escala. Um segundo pilar fundamental é a governança robusta, com papéis e responsabilidades bem definidos em nível executivo, comitês multidisciplinares e processos formais de avaliação de risco.
A sustentabilidade é outro tema em alta, como você enxerga esse ativo para as empresas?
A sustentabilidade se consolidou como ativo estratégico e de sobrevivência dos negócios. Em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, pressões regulatórias e riscos climáticos crescentes, sustentabilidade sem estratégia vira custo — e estratégia sem sustentabilidade vira risco. As empresas que conseguem integrar fatores ESG às decisões centrais do negócio ganham mais previsibilidade, constroem confiança com seus stakeholders e aumentam sua capacidade de atravessar ciclos econômicos com resiliência e longevidade.
Qual legado você deseja deixar para a próxima geração de líderes?
Liderança é uma construção coletiva, baseada em escuta e empatia, com foco mais nas pessoas do que no indivíduo. O maior legado de um líder não são números, mas desenvolver novas lideranças, garantindo a perenidade das organizações e a criação de valor de forma sustentável a longo prazo. Cabe ao líder manter missão, propósito e estratégia no centro, atuando como embaixador da cultura da empresa.



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