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Boston,11/05/2026

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O futuro da receita dos bancos pode estar onde eles menos olharam

Por Carolina Ragazzi, Daniella Marques e Patrícia Cardim


O futuro da receita dos bancos pode estar onde eles menos olharam

As mulheres estão assumindo o controle de uma fatia crescente da riqueza global. O sistema financeiro brasileiro ainda trata esse movimento como nicho. É um erro estratégico. 

Durante décadas, bancos, corretoras e fintechs desenharam produtos, linguagem e atendimento a partir de um cliente padrão: masculino, confiante, orientado a performance e familiarizado com o vocabulário técnico do mercado. As mulheres entravam na estratégia como público complementar, quando não como acompanhante da decisão financeira masculina. 

Esse modelo está ficando velho. E caro. Segundo o estudo “The New Face of Wealth: The Rise of the Female Investor”, da McKinsey, entre 2018 e 2023, a riqueza financeira global cresceu 43%, enquanto a riqueza controlada por mulheres avançou 51%. Em 2023, elas já administravam cerca de US$ 60 trilhões em ativos, o equivalente a 34% do total global. Nos Estados Unidos e na Europa, a participação feminina nos ativos financeiros de varejo deve chegar a algo entre 40% e 45% até 2030. Apenas nos Estados Unidos, estima-se que as mulheres controlem cerca de US$ 34 trilhões em ativos investíveis ao fim da década. 

O ponto central não é apenas que as mulheres terão mais dinheiro. É que decidirão mais sobre ele. A transferência de riqueza entre gerações, a longevidade feminina, o aumento da escolaridade, o avanço no empreendedorismo e a mudança nos arranjos familiares estão deslocando o poder financeiro. Em mercados mais maduros, bancos privados e gestoras já entenderam que a mulher não é um segmento reputacional, mas uma avenida de crescimento. Programas internacionais de wealth management passaram a combinar educação financeira, comunidades, conteúdo segmentado, atendimento mais consultivo e planejamento conectado a objetivos de vida. 

No Brasil, a oportunidade é talvez ainda maior porque a negligência é mais evidente. O país tem mulheres mais escolarizadas que homens, mais de 10 milhões de empreendedoras, uma presença feminina cada vez maior na renda variável e duração média de casamentos decrescentes. Ainda assim, boa parte da indústria financeira segue oferecendo às mulheres uma versão decorada do produto tradicional: campanhas cor-de-rosa, linguagem genérica e pouco redesenho real da jornada. 

O problema não é estético. É econômico. Mulheres não formam um bloco homogêneo, e esse é justamente o ponto. O erro do sistema financeiro não está apenas em ignorálas, mas em tentar atendê-las com a mesma régua usada historicamente para os homens: excesso de jargão, foco em rentabilidade isolada, comparação de performance e pouca escuta sobre contexto. Pesquisas indicam que muitas mulheres valorizam clareza, confiança, planejamento de longo prazo e uma conversa capaz de conectar dinheiro a decisões de ciclo de vida — carreira, maternidade, cuidado com a família, divórcio, viuvez, empreendedorismo, longevidade, sucessão e autonomia. Quem não entende essa diferença deixa de capturar oportunidades em investimentos, previdência, crédito produtivo, seguros e gestão patrimonial.

Para o setor financeiro, a pergunta deixou de ser se vale a pena falar com mulheres. A pergunta é quanto custará continuar falando com elas da forma errada. O próximo ciclo de crescimento financeiro não será vencido por quem apenas segmentar campanhas. Será vencido por quem redesenhar linguagem, produtos, dados, times comerciais e relacionamento a partir das jornadas reais das mulheres. Nesse contexto, iniciativas de formação e autonomia financeira feminina, como a collab Grupo Pra Elas e Belas Artes, não devem ser vistas como ações periféricas de impacto social, mas como infraestrutura estratégica para capturar um capital que já começou a mudar de mãos.




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